Caso · Uber Eats · Lisboa
Um restaurante quase sem encomendas no Uber Eats — e o que dez dias mudaram
Durante três meses, a página deste restaurante no Uber Eats deu encomendas em cerca de um dia em cada seis. A cozinha estava bem; a página é que era invisível. Em dez dias trocámos a imagem de capa, reescrevemos a ementa inteira a pensar em como as pessoas pesquisam dentro da aplicação, refizemos o custeio dos pratos, montámos combos, começámos a fazer publicidade, abrimos uma linha de contacto com a equipa da própria plataforma e assumimos as avaliações — e os dias a zero acabaram.
O gráfico
Este é o painel do próprio restaurante: três meses, dia a dia. A linha cinzenta é o que os restaurantes comparáveis da zona estavam a vender. As barras verde-escuras são este restaurante.
Repare nos dois terços da esquerda. Na maior parte dos dias de junho e julho não há barra nenhuma. Não é uma barra baixa — não há nada. A cozinha estava aberta, a página estava online, e o dia acabava sem uma única encomenda por ali. Nos dias em que entrava alguma coisa, eram dez a quarenta encomendas contra uma média de sessenta a cem dos concorrentes.
Agora a margem direita. A partir da terceira semana de agosto há uma barra todos os dias, e a linha e as barras andam juntas. O dia mais alto está perto das duzentas encomendas — cerca do dobro do que fizeram nesse dia os restaurantes comparáveis à volta.
Aqueles dois dias muito altos no início são um relançamento, não o novo normal. As campanhas e as promoções arrancam com toda a força no primeiro dia e o bairro inteiro vê a página ao mesmo tempo. O número que vale a pena seguir é o nível em que a conta assenta depois — e esse nível anda por onde anda a média dos concorrentes, numa página que quinze dias antes não dava nada.
O que estava mesmo mal
Não havia nada de errado com a comida. Esta é a parte que mais custa a aceitar a quem tem restaurante, por isso vale a pena dizê-la sem rodeios: numa aplicação de entregas ninguém prova nada antes de encomendar. Escolhe-se a partir de uma grelha de fotografias no telemóvel. A página é o produto.
Havia três coisas a travar isto, e somavam-se umas às outras.
Ninguém abria a página. A imagem de capa é a única fotografia que o cliente vê na listagem, ao lado de outras trinta. Se não trava o polegar, tudo o que está lá dentro — os pratos, os preços, as descrições — nunca chega a ser visto por ninguém.
Ninguém encontrava a página. Os nomes dos pratos tinham sido copiados da ementa impressa. Quem escrevia na caixa de pesquisa da aplicação aquilo que lhe apetecia não batia certo com nenhum deles, e as categorias estavam pela ordem com que a cozinha pensa a comida, não pela ordem com que uma pessoa com fome compra.
Os poucos que lá chegavam estavam a ver preços de sala. A plataforma leva a sua comissão sobre aquilo que o cliente paga, mas o custo da comida não encolhe na mesma proporção. Uma ementa com preços de mesa é uma ementa que perde dinheiro nas entregas, e normalmente também está barata demais para financiar as promoções que dão visibilidade à página.
O que mudámos, em dez dias
Sete coisas. Nenhuma delas mexeu na cozinha.
- 1 · Uma nova imagem de capa
- A alavanca mais imediata e mais barata que existe. É a única coisa que decide se a página chega a ser aberta, e é o elemento que a maioria dos restaurantes define uma vez, no dia em que se inscreveu, e nunca mais volta a olhar para ele.
- 2 · A ementa inteira reescrita para a pesquisa
- Todos os nomes e descrições de pratos reescritos à volta das palavras que os clientes escrevem mesmo, categorias reordenadas para que o que vende venha à frente, opções e extras colocados onde são vistos. Uma página destas tem um motor de pesquisa interno, e só o consegue encontrar pelas palavras que lhe deu.
- 3 · Custeio dos pratos, refeito
- Passámos a pente fino o custo de cada prato e fixámos os preços de entrega a partir da margem que sobra depois da comissão, das embalagens e dos descontos de que uma página precisa para continuar visível — e não a partir do preço da ementa impressa. Sem este passo, tudo o que vem a seguir vende mais e ganha menos.
- 4 · Combos
- Montados para que a encomenda maior seja a escolha óbvia para o cliente, e para que aquilo que lhe é acrescentado tenha margem suficiente para pagar o próprio desconto. Um combo não é um desconto; é uma forma de aumentar o valor do carrinho sem baratear a comida.
- 5 · Publicidade, ligada
- Só nesta altura. A publicidade compra visitas; não conserta uma página que não converte. Começar pelas campanhas é o erro mais comum e mais caro que vemos — é pagar preço inteiro para as pessoas irem ver o problema.
- 6 · Uma linha aberta com a plataforma
- Todas as plataformas têm equipas de conta, promoções cofinanciadas e lugares de destaque que simplesmente nunca são oferecidos a restaurantes com quem ninguém da plataforma falou. Ser um nome conhecido dentro da plataforma vale visibilidade a sério, e não custa mais do que as conversas.
- 7 · Classificação e avaliações
- Lemos aquilo de que as más avaliações falavam de facto — itens em falta, embalagens, tempos de espera —, corrigimos as causas com o restaurante e passámos a responder a todas as avaliações, boas e más. A classificação é o que mais devagar se mexe nesta lista, porque é uma média, e é aquilo que os clientes usam para decidir se confiam numa página onde nunca encomendaram.
O que mudou depois
O gráfico diz isto melhor do que uma tabela diria, mas há três coisas que vale a pena nomear.
Todos os dias
As encomendas entram diariamente
Antes, a maior parte dos dias do gráfico não tem barra nenhuma. Depois, não há um único dia a zero.
≈ média dos concorrentes
Onde a página está agora
Barras e linha andam juntas e, em vários dias, as barras estão mais altas.
≈ 2×
O melhor dia
Perto de duzentas encomendas, cerca do dobro da média dos concorrentes nesse dia.
O painel da própria plataforma pôs um selo na conta: está a superar os concorrentes. Esse selo é a plataforma a comparar o restaurante com o grupo a que andava a perder, em silêncio, há meses.
O que isto não prova
Preferimos que leia esta página e acredite na próxima, por isso aqui fica o limite honesto daquilo que dez dias conseguem mostrar.
São dez dias. Mostram que as alterações funcionam. Ainda não mostram quanto do efeito se aguenta depois de passada a energia do relançamento. Os dias logo a seguir a um arranque são sempre os dias mais fortes que uma página vai ter.
É um restaurante, uma cidade, uma plataforma. Uma cozinha com um produto pior, ou uma categoria saturada, ou um raio de entrega sem clientes lá dentro, não se vai comportar assim — e não há trabalho de página que resolva isso.
A classificação não teve tempo de se mexer. O trabalho com as avaliações começou nestes mesmos dez dias; uma classificação é uma média e move-se ao longo de semanas. Seja qual for o contributo dela aqui, ainda não foi dado.
Vamos voltar a publicar esta página com um período mais longo, incluindo os meses seguintes, quer o retrato se mantenha assim tão bom, quer não.
O que pode tirar daqui sem contratar ninguém
Quatro dos sete passos não custam mais do que uma noite de trabalho.
Abra a sua própria página no telemóvel, como faria um desconhecido. Não na aplicação de gestão — na aplicação do cliente, numa pesquisa normal, ao lado dos seus concorrentes. A maior parte dos donos nunca fez isto, e basta cerca de um minuto para perceber se a sua imagem de capa aguenta a comparação.
Escreva na caixa de pesquisa da aplicação aquilo que um cliente escreveria para encontrar comida como a sua, e veja onde aparece. Se não aparecer, a razão são os nomes dos seus pratos.
Responda a todas as avaliações, incluindo as boas. Não custa nada, leva dez minutos por dia e está à vista de toda a gente que está a decidir se encomenda.
Faça as contas a um prato — custo da comida, embalagem, comissão e qualquer desconto que esteja a correr sobre ele — antes de gastar seja o que for em publicidade. Se o prato não dá dinheiro ao preço atual, mais encomendas pioram as contas em vez de as melhorarem. O nosso guia de preços da ementa tem uma calculadora exatamente para isto, e o artigo sobre o que a comissão faz à economia das entregas explica porque é que a taxa do seu contrato não é a taxa que paga na realidade.
Perguntas que nos fazem sobre este caso
Porque é que um restaurante quase não tem encomendas quando a comida é boa?
Porque ninguém prova a comida antes de encomendar. A imagem de capa decide se a página é aberta, os nomes dos pratos decidem se a pesquisa da aplicação a encontra, e a classificação decide se um desconhecido confia nela. Uma cozinha pode ser excelente e continuar invisível — é entre estas três coisas que o cliente está de facto a escolher.
Quanto tempo demora este tipo de trabalho a aparecer nas encomendas?
As alterações à página — capa, nomes, descrições, ordem das categorias, combos — ficam visíveis para os clientes no próprio dia. A publicidade começa a dar encomendas em poucos dias. A classificação é a parte lenta e mexe-se ao longo de semanas. Neste caso, a primeira alteração clara nas encomendas diárias apareceu ao fim de cerca de uma semana e meia.
É preciso publicidade paga para ter encomendas?
A publicidade traz tráfego; não conserta uma página que não converte. Fazer publicidade a uma página fraca é comprar visitas caras que acabam sem encomenda, e é a forma mais comum de desperdiçar um orçamento numa aplicação de entregas. Primeiro arranja-se a página, depois compra-se tráfego para ela.
A imagem de capa merece mesmo tanta atenção?
É a única fotografia que o cliente vê na listagem, ao lado de dezenas de outras, e é ela que decide se a sua página chega a ser aberta. Tudo o resto que fizer dentro da página só chega a quem a abriu primeiro.
O que é que não mudaram?
A cozinha. Receitas, fornecedores e confeção ficaram exatamente como estavam. O que mudou foi a página através da qual o cliente compra, os preços por trás dela, a publicidade, a relação com a plataforma e a forma como as avaliações são tratadas.
Um resultado destes consegue manter-se?
Dez dias mostram que a mudança funciona, não quanto dela se aguenta. Os dias de relançamento são sempre os mais fortes. O número honesto é o nível em que a conta assenta nos meses seguintes, e é com ele que vamos atualizar esta página.
Como foi medido
- De onde vem o gráfico
- Do painel da própria conta do restaurante, que gerimos com os acessos do cliente. A imagem é publicada tal como a plataforma a desenha, sem o nome do restaurante. A linha de comparação é o referencial de concorrentes da própria plataforma, não um cálculo nosso.
- O que são os números
- Encomendas por dia, não faturação. Não publicamos faturação absoluta em euros de uma conta que não é nossa.
- Período
- Três meses até ao final de agosto de 2026. O trabalho começou na terceira semana de agosto, pelo que o período medido depois das alterações é de cerca de dez dias. Página publicada pela primeira vez a 1 de setembro de 2026.
- Cliente
- Não é identificado. Uma conta de entregas é informação comercialmente sensível, e um concorrente da mesma rua também lê esta página. Referências podem ser dadas diretamente, a pedido.
Quer saber se a sua página tem o mesmo problema?
Dê-nos acesso de leitura às suas contas nas plataformas. Calculamos a sua Baseline e a comissão que paga na realidade a partir das suas próprias faturas, sem custo, e mostramos-lhe o que a capa, a ementa e os preços lhe estão a custar hoje. Nada muda nas suas contas sem a sua aprovação.
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