Preços da ementa
Como definir os preços da ementa para entregas
Copiar os preços da sala para o Uber Eats, a Glovo ou a Bolt Food é entregar a margem à plataforma. A app cobra a comissão sobre aquilo que o cliente paga, por isso o preço que funciona na sua sala é o preço errado na app — a maior parte dos restaurantes acrescenta 25–30 % e trata as entregas como uma tabela de preços à parte. Esta página serve para encontrar o seu próprio número: o que lhe chega de facto por encomenda, quanto tem de custar um prato antes de começar a ganhar alguma coisa, e por onde a margem se escapa sem se dar por isso.
Comece nos 25–30 % acima
Quase toda a gente que vende bem nas apps tem uma tabela de preços só para entregas, e quase toda a gente acaba na mesma faixa: 25 a 30 % acima do preço de sala. Não é ganância, é aritmética. A plataforma cobra a comissão sobre o preço que o cliente vê, por isso quanto mais alto esse preço, mais a plataforma leva — mas o custo do prato não mexe nem um cêntimo. O acréscimo serve apenas para manter a distância entre os dois igual à que tinha na sala.
Se tiver de escolher onde começar dentro da faixa, comece por baixo. Uma loja nova não tem avaliações, não tem histórico de encomendas nem posição na pesquisa, e são as primeiras semanas que decidem como a app o trata daí em diante. Ser barato o suficiente para alguém experimentar ganha sempre a ter o preço certo e ficar sem encomendas. Subir um preço mais tarde, com encomendas a entrar e a avaliação estável, é trabalho de cinco minutos. Ressuscitar uma loja que nunca arrancou não é.
O que não pode mesmo fazer é praticar o mesmo preço nos dois canais e esperar que a média resolva. Um prato que lhe deixa três euros na sala pode não deixar nada na app, e isso não aparece no painel — o painel mostra faturação, e a faturação parece boa até ao momento em que conta o que entrou no banco.
Calcule o seu próprio preço
Os números abaixo partem de um exemplo simples — um hambúrguer de 9,50 € — mas são para alterar. Ponha o seu preço de sala, a comissão que consta da sua própria fatura e o que o prato lhe custa de facto, já com a embalagem em que sai.
O seu prato
A maioria dos restaurantes fica entre 25 e 30.
Tire-a da sua própria fatura, não da tabela publicada — raramente são a mesma coisa.
Percentagem da faturação que gasta em publicidade dentro da app. Ponha 0 se não faz publicidade.
A caixa, a tampa, o saco e o guardanapo contam. Costumam somar 40 a 60 cêntimos.
Calculada sobre o que sobra depois da comissão e da publicidade. Esta é a versão dura: a nossa remuneração incide só sobre o crescimento, por isso nas encomendas que já tinha seria zero.
Preço de equilíbrio: 5,56 €. Abaixo disso o prato não deixa nada. É o custo do prato multiplicado por 1,59 — e esse multiplicador é apenas um a dividir pelo que lhe chega por cada euro.
Meramente ilustrativo até pôr aqui os seus números. A comissão e a percentagem de publicidade variam por restaurante, por plataforma e por país. Valores sem IVA: o tratamento fiscal difere entre comida e bebidas alcoólicas — confirme com o seu contabilista.
A verificação por baixo
O acréscimo diz-lhe por onde começar. Não lhe diz se o prato vale sequer a pena vender. Para isso trabalha-se pela outra ponta — a partir do que a comida lhe custa.
Seja qual for a parte de cada euro que lhe chega, vire-a ao contrário e tem um multiplicador. No exemplo acima chegam-lhe cerca de 63 cêntimos por euro, logo o multiplicador anda nos 1,59: o custo do prato vezes 1,59 é o preço a que o prato não deixa rigorosamente nada. Tudo o que estiver acima dessa linha é seu. Junte-lhe a comissão de uma agência e o multiplicador sobe — a calculadora refaz a conta à medida que escreve, para não ter de decorar um número que só serve para um conjunto de pressupostos.
Agora passe a ementa toda por ali. Se um prato com «preço de sala mais 30 %» ficar abaixo do seu preço de equilíbrio, esse prato não pertence às entregas — não a esse preço, e possivelmente não de todo. Ou leva um preço de entrega mais alto, ou entra num combo onde outro mais barato o carrega, ou fica na sala, onde funciona.
Trabalhe sempre com valores sem IVA quando comparar custo e preço. Em Portugal a comida servida e as bebidas alcoólicas não têm o mesmo enquadramento, e a comissão da plataforma tem o seu próprio tratamento — não adiantamos taxas aqui de propósito. Confirme com o seu contabilista antes de fechar a tabela de preços.
A embalagem, a despesa silenciosa
Quarenta cêntimos pela caixa. Quinze pela tampa. Um saco, um guardanapo, uma taça de molho. Ninguém mete a embalagem no custo do prato porque isolada não é nada — e depois saem trezentas encomendas num mês e são cento e oitenta euros que nunca entraram em conta nenhuma.
Ponha-a no custo do prato. Não como média para a ementa inteira, mas prato a prato: um hambúrguer numa caixa de duas abas e uma sopa num copo selado não são o mesmo dinheiro. É esta a diferença mais frequente entre o que um restaurante julga ganhar nas entregas e o que ganha realmente.
Monte os combos antes de abrir
Um combo faz duas coisas ao mesmo tempo. Sobe o valor médio da encomenda — que é a forma mais limpa de crescer numa app, porque a comissão da plataforma é indiferente ao número de artigos no carrinho. E dá-lhe onde esconder margem: junte um prato de custo baixo a outro de custo alto e o cliente lê o conjunto como bom negócio enquanto o conjunto ganha como deve ser.
Desenhe três a cinco antes de abrir, não depois. Prato mais acompanhamento mais bebida. Um conjunto para dois. Um almoço. São também mais fáceis de promover do que artigos soltos, porque um combo tem um «em vez de» óbvio e um prato sozinho não tem.
Deixe espaço para os descontos
É aqui que a maioria se engana. Quando faz uma promoção numa plataforma, o desconto sai do seu preço, não da comissão da plataforma. Dois por um significa que oferece o segundo prato e a plataforma continua a levar a parte dela sobre o carrinho todo.
Por isso, se já sabe que pratos vai pôr em promoção — e há apps onde sem isso não se arranca —, esses pratos precisam de folga desde o primeiro dia. Dez a quinze por cento acima do preço normal de entrega, só nesses artigos, não na ementa inteira. Defina a lista com antecedência. Descontar um prato que foi preçado sem folga nenhuma é a receita para um mês cheio acabar pior do que um mês parado.
Abra a app e olhe à sua volta
Antes de fechar a tabela, abra a app como cliente e veja três a cinco casas perto de si com o mesmo tipo de comida. Não é para copiar. É para confirmar que não foi parar a um sítio estranho — ao dobro do preço de toda a gente à volta, ou tão abaixo que o cliente conclui que a comida tem algum problema.
Os preços de zona mexem, e em Lisboa ou no Porto mexem depressa: uma tabela que fazia sentido na primavera pode estar desfasada no outono. Reveja-a duas vezes por ano, e sempre que os seus próprios custos mudarem.
Perguntas que nos fazem
Quanto devo acrescentar ao preço de sala para as entregas?
A maioria dos restaurantes acrescenta 25 a 30 %. A razão é simples: a plataforma cobra a comissão sobre o preço que o cliente paga, enquanto o custo do prato se mantém igual, por isso sem acréscimo a comissão sai diretamente da sua margem. Comece na parte de baixo da faixa quando a loja é nova — nas primeiras semanas, uma avaliação e um histórico de encomendas valem mais do que uns cêntimos por prato.
Como sei se vale a pena vender um prato nas entregas?
Calcule o que lhe chega de cada euro depois da comissão e da publicidade e divida um por esse valor. Fica com um multiplicador. O custo do prato com embalagem vezes o multiplicador é o preço a que o prato não deixa rigorosamente nada. Se o preço de entrega que tinha em mente ficar abaixo dessa linha, o prato não funciona na app a esse preço.
A embalagem deve entrar no custo do prato?
Sim, prato a prato e não como média da ementa. Caixa, tampa, saco e guardanapo somam habitualmente 40 a 60 cêntimos, o que não é nada numa encomenda e passa a ser dinheiro a sério ao fim de algumas centenas. Deixá-la de fora é a razão mais comum para uma ementa de entregas parecer rentável no papel e não ser.
Quem paga o desconto numa plataforma de entregas?
O restaurante. O desconto sai do seu preço, não da comissão da plataforma, e a plataforma continua a cobrar a parte dela sobre o carrinho. É por isso que os pratos que tenciona promover precisam de mais 10 a 15 % incorporados no preço desde o início — só nesses artigos, não na ementa toda.
A comissão da tabela publicada é a que eu pago?
Normalmente não. A taxa divulgada é uma expectativa de partida; a que aparece no seu extrato resulta do seu contrato e varia por restaurante, por nível de serviço e por país. Tire sempre o valor da sua própria fatura antes de o usar em qualquer cálculo de preços.
Os preços na app devem incluir IVA?
O cliente vê sempre o preço final, com IVA incluído, tal como na sala. Para efeitos de margem, porém, compare custo e preço sem IVA, porque comida e bebidas alcoólicas não têm o mesmo enquadramento e a comissão da plataforma tem tratamento próprio. Não publicamos taxas aqui: confirme com o seu contabilista qual se aplica a cada artigo da sua ementa.
Os combos ajudam mesmo ou só cortam margem?
Ajudam quando são desenhados e não montados com sobras. Um combo sobe o valor médio da encomenda, e a comissão da plataforma incide sobre o carrinho independentemente do número de artigos, por isso um carrinho maior aguenta melhor os custos. Permite também juntar um prato de custo baixo a outro de custo alto, para o conjunto ganhar como deve ser e continuar a ler-se como bom negócio.
O que está por trás destes números
- O exemplo trabalhado
- Um preço de sala de 9,50 €, um acréscimo de 30 %, uma comissão de 30 %, 7 % da faturação em publicidade e 3,50 € de custo do prato com embalagem. São números redondos escolhidos para a conta se ler bem, não medições de nenhum restaurante. Todos eles são campos que pode alterar.
- O que não publicamos
- Não aparece nesta página nenhuma taxa de comissão, condição contratual ou número de cliente de qualquer plataforma identificada. Essas condições são fixadas restaurante a restaurante e são confidenciais, por isso qualquer valor impresso aqui estaria errado para a maioria de quem lê.
- O que a margem não é
- A margem que a calculadora mostra é o que sobra depois da comissão, da publicidade, de eventual comissão de agência e do custo da comida com a embalagem. É antes de pessoal, renda, energia e impostos. É uma verificação ao nível do prato, não uma demonstração de resultados.
- A linha da agência
- A comissão de agência opcional é aplicada a todas as encomendas, que é o caso mais duro. O nosso próprio acordo cobra apenas uma parte do crescimento, por isso nas encomendas que o restaurante já tinha antes de nós o valor seria zero. Mantivemos a versão dura na calculadora para a verificação errar pelo lado seguro.
- Enquadramento fiscal
- Esta página não é aconselhamento fiscal. Em Portugal, comida servida, bebidas alcoólicas e serviços de plataforma não têm todos o mesmo enquadramento de IVA, e as regras mudam. Confirme com o seu contabilista o que se aplica a cada artigo antes de fixar a tabela.
Ou entregue-nos isto tudo
Tudo o que está nesta página dá trabalho: tirar a comissão real das faturas, passar cada prato pelo seu preço de equilíbrio, ver o que cobram as casas à volta, refazer a ementa e os combos e depois manter os preços honestos à medida que os custos mexem. Poucas cozinhas têm uma noite por semana para isso.
Fazemo-lo nós. Trabalhamos por dentro das suas contas, a começar com acesso só de leitura: montamos o cartão, carregamos a ementa, escrevemos as descrições, definimos os acréscimos prato a prato, juntamos os combos e vigiamos o que a concorrência cobra. A cozinha fica consigo.
E não paga por esforço — somos pagos com uma parte do crescimento que trouxermos, medido contra os seus próprios números de antes de começarmos. Sem crescimento, não há fatura.
Deixe o pedido e olhamos para as suas contas com calma, com uma resposta sobre o que mudaríamos e quanto vale. Sem custo, e nada se mexe nas suas contas sem o seu aval.
Ainda não está nas apps? Comece por aqui: como colocar o restaurante nas plataformas